O AMOR QUE PODERIA TER NASCIDO

Assim que o par de olhos dele cruzaram com os meus, o bar barulhento com meus amigos rindo o diafragma para fora, ficou em silêncio.

De moletom cinza, calça jeans, relógio de fita de couro no pulso, cabelo bagunçado, me perguntei como seria se ele abandonasse a mesa da frente, e se sentasse ao meu lado. Assim de repente. Será que de tão de repente meu coração não o sentiria? Impossível. De tão de repente, meu coração já se apaixonaria. 

Ele passou seus olhos rapidamente pelos meus, mas nesses poucos segundos, me perguntei como seria se ele segurasse o olhar. Como seria se para ele, nada mais tivesse importância. Como seria se o as batidas cardíacas se acelerassem com a simples ideia de sentir o gosto do meu beijo? 

O que aconteceria, se ele descobrisse que não havia mais necessidade de mendigar atenção de pessoas passageiras, se soubesse que eu estava lá para olhá-lo a noite inteira?

Observando como sua boca curvava quando sorria, imaginei se os nossos santos bateriam. Vendo seus lábios se mexerem rápido conforme as palavras saíam com naturalidade, imaginava que com sorte, o fogo de meus olhos queimaria o seu peito indicando a minha presença quente no ar frio.

Qual será o cheiro que ele deixa na roupa? Talvez se eu me inclinar, consigo ouvi-lo conversando, e distinguirei qual seria a voz dele. E quando soubesse, sentiria o veludo em minha pele prometendo a cada pinta, um amor tão solene quanto a coroação de um novo Rei.

A cada gole de drink a lua cochichava para as estrelas como seria o nosso futuro se um de nós tivesse a coragem de falar com o outro.

Nos primeiros raios de sol, a lua ficou com dó do meu pobre coração oferecido que decidiu contar, o mais rápido que podia antes da sua morte, como seria se ele me amasse. Consegui ouvir seu breve suspiro buscando as palavras certas, quando o sol decidiu me dar o benefício da dúvida, deixando assim, minha cabeça rodar pela eternidade sobre o par de olhos que poderiam ter me visto, e meu coração guardar como verdadeiro, um amor que poderia ter nascido.

Com todo o meu amor, 

como sempre, 

S. Ganeff

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