CULTURA INGLESA: UMA OPÇÃO DE VIDA

Poucas pessoas entendem quando eu digo que a Cultura Inglesa não é um curso de inglês, é uma opção de vida. Uma vez lá, leitor, não tem volta.

Passei 90% da minha vida na fortaleza unidade 333. O prédio de três andares parece inofensivo a quem o vê na rua, mas quem o frequenta sabe que os tijolos em sua faixada foram colocados um a um, por crianças remelentas que não aprenderam o verb to be.

Mãe Bióloga me alistava em todas as atividades possíveis e imagináveis. Fiz o show de talentos, coral, teatro, bandinha… tudo. Além das aulas é claro. Então assim, se você fez Cultura na Unidade 333, tem uma chance muito grande de te conhecer. E se eu não te conhecer, conheço o seu Teacher.

Toda segunda e quarta lá estava eu, dando oi para o Marquinhos que ficava na porta e subindo a meio rampa meio escada para minha dor semanal.

Eu gostava? Não. Nem um pouco.

Iria de novo? Nem que me pagasse.

Mas tenho uma nostalgia muito forte quando penso. É traumático, mas tenho saudades da Cultura. 

É quase um clube interno, sabe? Antes da aula começar você fica lá, sentado no banquinho na frente da sala, observando a felicidade se esvair dos rostos das crianças. Quando chega um pobre coitado do seu lado só levantando a mão espalmada até a cintura em um meio aceno por falta de energia, você percebe que não está sozinho.

Até hoje quando tenho aulas muito longas, me vem uma sensação no peito, como se estivesse mais uma vez dentro da sala pequena de chão azul na cadeira espremida vendo o tempo simplesmente parar.

O mais maluco de tudo, é que o mundo descobriu as aulas virtuais em 2020, mas a Cultura Inglesa é a dona do feto. Todo e qualquer infeliz que cursou a Cultura sabe do que estou falando.

O E-Campus.

Leitor, se você sabe o que é o E-Campus, você é um ancião.

Eu sou da época que o E-Campus valia nota, e se não fizer, o Teacher liga para os seus pais, (inclusive, por que Cultura Inglesa, essa era a ameaça para tudo?).

Na minha época, o computador era sagrado, e eu em meus sete anos não tinha um próprio. Mãe Bióloga me deixava mais cedo no 333 para eu fazer o E-Campus lá nos dinossauros que a Cultura possuía.

Para você ter noção do meu trauma, toda vez que toca o telefone da minha mãe e é um desconhecido, eu tremo pensando que é o meu Teacher ligando para falar mal de mim. Até hoje. E eu nem faço mais Cultura.

De qualquer maneira, leitor, a Cultura valeu a pena. Dói no coração e vai fazer com que você duvide muitas vezes da sua sanidade mental, mas vai te proporcionar aventuras épicas e vai te fazer falar inglês. Não gostava da Cultura, mas eu sei que sem ela, não teria me jogado no mundo com tanta propriedade quanto eu me joguei. 

Com todo o meu amor, 

como sempre, 

S. Ganeff

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: