EU ADMITO

A verdade? A verdade é que eu admito sim. 

Admito que procurei tudo sobre você, vi todas as suas fotos do Instagram e decorei as legendas.  Vi todos os seus amigos no Facebook e vi detalhadamente o perfil de cada um deles. 

Coloquei seu nome no Google tantas vezes que quando digito a primeira letra, você já aparece como sugestão. 

Admito que descobri tudo sobre sua família também. Sei que sua mãe trabalha em uma loja de cosméticos e seu pai é engenheiro. 

E sim, admito que já pensei muito nessa informação para iniciar uma conversa. 

Admito que sei o nome do seu cachorro, (Bile), a raça, (Golden Retriver), a bolinha favorita, (aquela vermelha de linhas amarelas), e a marca do biscoitinho que ele gosta, (o da embalagem azul que contem cerca de 25 palitinhos brancos). 

Culpe as postagens da sua irmã por isso. 

Eu admito que todas as vezes que cruzei com você e disse “nossa que coincidência” era mentira. Tinha visto onde você estava e corri para lá me arrumando no caminho e passando aquele perfume que você já tuitou dizendo que é o seu favorito. 

Confesso que fico te olhando e você não percebe. 

Te olho tanto que decorei a marca do seu sorriso na bochecha, exatamente onde nasce a sua covinha, a sua pinta bem embaixo do queixo e como você morde os lábios deixando uma marquinha branca na parte rosada. 

Admito que já brinquei com seu sobrenome. Disse que a gente namorava para a moça do caixa do supermercado na esquina da sua casa, passei uma semana inteira usando azul porque você disse para o seu amigo na fila do almoço que era sua cor favorita e procurei na internet onde você comprou essa pulseira que usa no braço esquerdo. 

Me imaginei usando seus moletons, brincando com seus cachos, deitando do seu lado e já passei dias tentando descobrir qual música você sempre canta no chuveiro. 

Admito também que hoje, quando você me encontrou na porta do seu prédio, e eu disse que estava lá para ver um amigo, menti. Estava parada tentando decifrar qual era seu andar pela luz que viria do seu quarto. 

Admito que essa não foi a primeira vez. 

Admito que fico esperando você algum dia me dizer tudo o que você sente e se declarar para mim de joelhos com um único girassol na mão. 

Admito que sou uma bagunça. 

Admito que sou levada pela loucura. 

Mas admito antes de tudo, que foi em nome do amor. Meu cupido entrou de férias e eu tive que tomar as providências por conta própria. 

Agora, sua vez de admitir que já sabia de tudo, mas mesmo desconfiando da falta de neurônios e da loucura crônica, gostava de não saber qual seria meu próximo passo. 

Com todo o meu amor, 

como sempre, 

S. Ganeff

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