O CASAL DA SAINT GERMAN

Se conheceram jovens. Deviam estar em um baile repleto de sorrisos largos, olhares longos, saias rodadas e música alta. Um ambiente que escondia rostos com fumaça de cigarro e brumas da noite.  Ele deve ter a visto dançando entre as amigas, rodopiando com seu vestido azul, sorrindo como se não houvesse amanhã. Ah, ele desejouContinuar lendo “O CASAL DA SAINT GERMAN”

O AVIÃO CAIU

O ano era 2009, Pai Engenheiro, Tia do Divã e Tio Careca (licença poética para chamá-lo assim), decidiram passar a virada do ano no Fim do Mundo, na Terra do Fogo. Ushuaia.  Uma cidade de três ruas e geleiras localizada na ponta extrema sul da América do Sul. Para chegar no destino, tínhamos que pegarContinuar lendo “O AVIÃO CAIU”

PERDIDAS NO MAR

O barco em que estávamos era lindo. Tão grande que fazia com que qualquer um que não o conhecesse, se perder. Estávamos tomando sol na proa quando a Dona do Barco perguntou se queríamos andar de stand up. — Claro! Dona do Barco pegou as duas pranchas e os dois remos. — Tem um problema: aContinuar lendo “PERDIDAS NO MAR”

TIENS

Era sexta-feira, e assim que subi as escadas, meu gerente disse suado e sem folego. — Estamos 100% lotados hoje, completamente reservados — ele abriu o caderno grande onde anotávamos todas as reservas. — Temos várias festas e comemoração de fim ano. Você vai ter que limpar as mesas o mais rápido que pode paraContinuar lendo “TIENS”

A TRAIÇÃO DE TEDDY

Meu coração foi partido pela primeira vez por um moço chamado Teddy.  Teddy, meu mais genuíno e único companheiro, me traiu quando menos esperava, em uma noite que eu mais contava com a sua presença. Tudo começou quando Pai Engenheiro disse que passaríamos um feriado no Rio. É claro que levei o Teddy, era inocenteContinuar lendo “A TRAIÇÃO DE TEDDY”

O PULO DA JANELA

Minhas aulas de inglês eram a definição de tédio. Depois de um tempo de aula, as palavras começavam a se embolar, você não ouve mais nada e como uma anestesia, você parava de sentir.  Um efeito colateral terrível, mas acontecia com todos. Até com o pobre coitado do Teacher. Eu e meus dois fies companheiros,Continuar lendo “O PULO DA JANELA”

A GENTE TAMBÉM CHEGOU AQUI

Ah, Riviera de São Lourenço, o lugar onde a elite paulista e sua órbita habitam no período de férias. Leitor, a Riviera de São Lourenco é o Mykonos paulista, mas em uma versão de prédios altos com as mais novas tecnologias e uma areia suja de champanhe e queijo suíço. A cada quinze dias, euContinuar lendo “A GENTE TAMBÉM CHEGOU AQUI”

FALTOU A BOLA NO PÉ QUANDO NASCI

Não tenho habilidades com esporte. Além de não entender nada, não faço a menor ideia de como segurar uma bola, muito menos chutá-la, mas durante meu intercâmbio tive que virar atacante. Estávamos em uma reunião de todos os internacionais novos na escola. Os coordenadores estavam explicando as regras, os uniformes e tudo mais. Eu nãoContinuar lendo “FALTOU A BOLA NO PÉ QUANDO NASCI”

MILITANTE DA ASMA

Assim como Pai Engenheiro, tenho asma. De uma maneira mais leve e não tenho ataques a anos, mas continuo a tendo mesmo assim. O que é perfeitamente normal, certo? Muita gente por aí tem, e não é nada para se envergonhar etc. e tal, mas Pai Engenheiro era militante da asma.  Sim, isso mesmo. ExistiaContinuar lendo “MILITANTE DA ASMA”

O ADEUS DIFÍL DE DAR

O carro parou na frente da casa dela no final da rua. Eu olhei para o banco traseiro sentindo o coração acelerar. Ela limpou a lágrima com o dedo.  — Adeus — disse com fungada. — Vou sentir saudades.  Ela abriu a porta traseira e eu abri a minha. Na rua escura, ela olhou paraContinuar lendo “O ADEUS DIFÍL DE DAR”