LICENÇA, MAS EU VOU ESCREVER SOBRE VOCÊ

Eu não gosto mais de você. Na verdade, não sinto mais nada por você. 

Mas você é tão legal de escrever. 

Soa infantil e idiota, acredite eu sei, mas você é simplesmente um poço inesgotável de ideias.  Eu penso em você, 20 textos fluem na minha mente e eu não posso fazer nada, além de deixar com que minhas batidas cardíacas sincronizem com as letras e me deixar levar.

Você é de fato a raiz da minha inspiração, mas as lembranças são minhas, e no papel, posso contar toda as verdades que ainda não tive a chance de jogar na sua cara.

Acho que só artistas vão me entender, mas tem certas pessoas que são pura arte, outras pelas experiências que tivemos com elas, fazemos arte. Me lembro como você bebia seu whisky mexendo o copo para ouvir o tilintar do gelo no vidro, como você anotava nas costas da mão tudo que tinha que fazer no dia, como você se vestia, como andava com as pernas separadas, como o cheiro do seu perfume combinava perfeitamente com o cheiro de chuva no asfalto e como você envenenava meu coração dizendo que era remédio. 

E simples assim, meu amor, lembrando do mais básico sobre você, teço como uma tapeçaria, um retrato seu em preto em branco em formato de letras esvaindo tudo que antes estava preso em mim.

Posso não sentir mais nada por você, mas a suavidade de poder tê-lo preso em uma única folha de papel, libera o sangue que antes entupia as minhas artérias, e muitas vezes, libera aquela lágrima que ficou presa da última vez que nos vimos. 

Não me entenda mal, mas às vezes tudo que a gente guarda dentro de nós se acumula e explode. No meu caso, em palavras, conto para as páginas em branco todos os meus segredos mais profundos sendo a única testemunha, a ponta da caneta.

Não se sinta lisonjeado por eu escrever tanto sobre você, sinta-se envergonhado por ter me machucado tanto a ponto de ler minhas dores canalizadas em palavras raivosas.

No meu caso amor, preciso me lembrar constantemente que a tinta seca mais rápida no papel, do que sangue na roupa.

Então assim, licença, as memórias são minhas e as dores são minhas, mas eu vou escrever sobre você.

É a minha chance de não fazer algo pior e ir para a cadeia.

Com todo o meu amor, 

como sempre, 

S. Ganeff

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